A Pequena Harper, a Mais Forte Guerreira


Ela morreu 03 vezes… e ainda continua suas batalhas, mas ela está cada dia melhor
Ela é minha inspiração !

A Pequena Harper, a mais forte guerreira

 

Anja McDonald

 

Conheci Michael e Cheyenne quando fiz a sua fotografia de gestação e maternidade. Eles estavam tão animados em serem pais, e eu me lembro que ao voltar para casa pensei o quanto aquela era uma criança de sorte.

Poucas semanas depois recebi uma triste mensagem de Michael, dizendo que sua pequena menina tinha nascido, mas sob circunstâncias profundamente traumáticas. Pedi que o casal contasse sua história com suas próprias palavras…

Anja McDonald

 

“Na quinta-feira, dia 3 de agosto, acordamos mais animados do que o dia anterior. Era a nossa última consulta na maternidade, faltavam seis dias para o parto, e era o dia em que eu receberia transfusão de sangue para me preparar para o parto induzido em 06 de agosto. Pouco sabíamos que neste mesmo dia eu teria a mais traumática experiência de toda a nossa vida.

A despeito da bem sucedida transfusão e monitoramento da criança em nossa consulta, 11 horas mais tarde eu acordei sentindo que a bolsa havia se rompido, olhei para cama e vi uma poça de sangue. Infelizmente, eu estava tendo um desprendimento de placenta, algo raro, que oferecia risco de morte tanto à mãe quanto à criança. De ambulância fui levada ao hospital e conduziram a cesariana para salvar a minha vida e de Harper. Felizmente, os mais de 30 médicos e enfermeiros fizeram todo o possível para nos salvar. Durante o procedimento de emergência, Harper morreu três vezes em consequência da placenta se separar completamente do ventre, o que causou perda de sangue e oxigênio de seus órgãos vitais. Foi trazida de volta à vida com adrenalina e duas vezes com CPR (ressuscitação cardiopulmonar), com a qual eu também voltei à vida devido aos seis litros de sangue que perdi.

É aqui que começa nossa história na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal.

Anja McDonald

Harper nasceu no dia 4 de agosto, às 0h42, pesando 2,25 kg e tentando alcançar as estrelas com 47 cm de altura. Ela entrou neste mundo conectada ao ventilador respiratório, ao tubo gastronômico para alimentação, dois equipamentos de transfusão, sucção bucal de hora em hora para evitar que se sufocasse com suas secreções, à cama térmica para controlar sua temperatura e vários outros fios e tubos para ajudá-la a funcionar com mais conforto. Em consequência do grande dano ao seu pequeno cérebro, enfrentava várias convulsões por dia. Seus órgãos e fígado também não funcionavam devido ao seu nascimento inesperado com 36 semanas e meia. Foram 4 dias dessa montanha russa emocional, tentando compreender a terminologia médica, monitor estatístico e tudo associado à condição de Harper. Algum tempo depois, seu fígado e órgãos começaram a funcionar e, finalmente, pudemos tê-la em nossos braços pela primeira vez.

Harper fez então uma ressonância magnética. Infelizmente, os resultados demonstraram pleno dano ao cérebro que estava com atividade muito anormal. Michael e eu tínhamos de tomar a decisão de retirar o tubo respiratório, sabendo que a chance dela respirar por si só era mínima. Ambos tivemos que nos preparar para o pior. Nenhum pai ou mãe deveria ter que fazer isso, principalmente com alguém tão precioso de apenas cinco dias de idade, cuja vida apenas começou.

Dois dias se passaram. Chegou o dia de retirarmos o tubo respiratório. A enfermeira nos avisou que as estatísticas caiam rapidamente, tínhamos no máximo uma hora. Nós a seguramos com carinho, sussurrando palavras de amor sem fim, curtindo o que pensávamos ser nossos últimos minutos com ela. Seis horas se passaram e ela ainda respirava levemente. Sobreviveu àquela noite! Estava respirando por si só. Era difícil acreditar, nada parecia poder impedir a luta que havia dentro dela! Agora, era momento de focarmos a sua qualidade de vida e fazer o máximo para sermos seus maiores defensores. Uma semana depois, foi transferida para o Berçário 2, onde sua temperatura lentamente se normalizou, as convulsões cessaram, ela abriu os olhos, já não era necessário a sucção em sua boca, suas cordas vocais começaram a funcionar e sua respiração estava forte. Nada impedia nossa menininha de mostrar ao mundo a força que ela tinha.

Apesar de todas as melhoras e da imensa esperança que ela nos dava, ainda tínhamos que enfrentar conversas infindas sobre a possibilidade de Harper vir a ter severas deficiências, o risco de uma paralisia cerebral, seu fraco tônus muscular que poderia impedi-la de caminhar, até de poder sentar-se, a possibilidade do retorno das convulsões devido à atividade cerebral anormal, e de que sempre sofreria com o sugar e engolir fazendo com que se sufocasse com sua própria saliva.

Negar a realidade… era só nisso que conseguíamos pensar. Agarrávamo-nos demais à esperança de vê-la melhorar como fez, para tentar aceitar a possibilidade desse desfecho. Harper ficou 22 dias na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal. Foi liberada para ir para casa com infindas visitas diárias do pessoal do hospital à nossa casa.

Ainda era alimentada via tubos e recebia duas doses diárias de medicamentos para ajudar no desenvolvimento do cérebro e para impedir o retorno de convulsões, sendo mudada de lado de três em três horas em razão de sua fraqueza muscular e sua respiração era monitorada por um sensor. Depois de três semanas em casa, já não precisava mais do tubo gástrico e nem tinha dificuldade de sugar e engolir, já não havia o risco de se sufocar, seus músculos se fortaleceram e já não precisava mais de visitas do hospital em casa. Durante este tempo, mostrou á sua fisioterapeuta que o seu desenvolvimento como recém-nascida era o que deveria ser para a sua idade. Sua visita a cada seis semanas ao nosso clínico geral deixou-o tão surpreso que ele duvida que o seu parto venha a ter qualquer efeito negativo num longo prazo. No entanto, ela ainda está tomando medicamentos para prevenir qualquer possível convulsão e para ajudar no desenvolvimento de seu cérebro.

Anja McDonald

 

É verdadeiramente incrível vê-la superar todas as coisas traumáticas que ocorreram desde o seu nascimento. Somos muito gratos por termos nossa linda menina conosco hoje. Ela extrai o que há de melhor em nós e continua a nos fortalecer a cada dia. O Centro de Tratamento Intensivo Neonatal é um lugar pouco conhecido neste mundo, ou pelo menos era assim como o víamos, algo que nunca pensamos vivenciar. Gostaríamos que ninguém tivesse que compartilhar história de nascimento de seu filho como esta. A todos aqueles pais que, infelizmente, passam por isso, agarrem-se a qualquer fio de esperança porque, como sabemos, é necessário enorme quantidade de força para estar em nossa pele. Continuem lutando, e nunca desistam!”

Esta é a história de Harper até o momento, mas ela definitivamente ainda não terminou a sua caminhada de vida. Eu a vi com sete semanas de idade e ela estava sorridente, contente, forte, simplesmente perfeita. Verdadeiramente um pequeno milagre.

Michael e Cheyenne, sentimo-nos pequenos ao vermos sua coragem, amor, firme determinação e resiliência, e lhes desejamos todo o amor do mundo.

Anja McDonald

 

Texto e fotos: Anja McDonald

Site:
Anja McDonald


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